1981: Da tragédia ao desenvolvimento

Fotos Edgar Santos

Algumas datas são marcantes para o povo de Santa Cruz. Anos como 1833 (Reconhecimento do Povoado), 1835 (Criação da Paróquia de Santa Rita), 1876 (Emancipação), 1963 (Energia de Paulo Afonso) e tantos outros anos de glória para uma cidade que já soube o que era ser o maior município em área territorial e em população, além dos tempos do algodão.

Mas a marca do ano de 1981 é envolvida de uma tristeza sem fim, quando conhecemos a marca da tragédia da enchente, com o arrombamento do Açude Santa Cruz. As águas que vieram pelo Rio Trairi, após grande volume pluviométrico, destruíram alguns reservatórios, como o de Campo Redondo, Mãe D’Água, que desaguou em Santa Cruz, provocando o rompimento da parede do mesmo.

O saldo foi terrível para uma população que em sua maioria dependia do serviço público e pequeno comércio. As famílias mais tradicionais e com mais recursos não sentiram tanto os efeitos, e existem relatos de privilégios e corrupção na divisão das ajudas enviadas pelos entes governamentais, entidades filantrópicas e donativos doados por todo Brasil.

A tragédia repercutiu pela imprensa nacional, trazendo para o Rio Grande do Norte o Ministro do Interior, Mário Andreazza, que junto ao Governador da época, Lavoisier Maia, implementaram a recuperação do município, com a construção de casas populares, bem como a reurbanização da cidade após a destruição provocada pelas águas.

Youtube/Ricardo Rios Rios

A enchente provocou o primeiro marco de expansão da cidade, levando uma população para outras áreas do município, aumentando o perímetro urbano. A tragédia levou Santa Cruz para uma nova Era, que foi complementada com a chegada da Adutora Monsenhor Expedito, a criação dos Campi do UERN, IFRN e UFRN, além da implantação do Santuário de Santa Rita de Cássia.

Quem compara os sofridos anos 1980 sabe o que foi a caminhada de Santa Cruz, somada aos anos de luta de 1990, liderados por tantos homens guerreiros, a quem destacamos o radialista e poeta Hugo Tavares, nos movimentos pelas adutoras, liderados pelos padres católicos Monsenhor Expedito, no Potengi, e Monsenhor Raimundo, no Trairi.

Foto Edgar Santos

Falando em padres, a Igreja Católica tem muita participação nessa recuperação da cidade após a enchente de 1981. Monsenhor Raimundo avisava à população através do sistema de som externo da Igreja Matriz sobre a enchente que se aproximava, abrigou pessoas, ajudou em todos os momentos daquele momento fatídico. Fez o que a Igreja de Cristo deve fazer sempre, atuar em favor dos mais humildes, socorrer os irmãos em Cristo Jesus.

Foi graças à Paróquia de Santa Rita de Cássia, que a Prefeitura de Santa Cruz, na administração de Hildebrando Teixeira conseguiu o terreno para construção das casas populares, doando uma faixa de terra onde abrigou os novos moradores para o Conjunto Cônego Monte, e construindo o marco de fé que é a Capela de Nossa Senhora das Graças. E como diz o hino da padroeira: “Senhora Mãe de Deus, Cheia de Graça. Aqui estão todos os filhos teus. […] Mas as águas nos trouxeram para cá. […] Foi a senhora a escolhida”.

Santa Cruz relembra em um sábado de feira livre a tristeza de anos passados, mas celebra a glória do seu desenvolvimento, e o desejo de mais justiça social. Que 81 não seja apenas tristeza, mas o marco da caminhada para o progresso, que ainda precisa chegar a todos.

Avante, povo de Santa Cruz!

Foto Edgar Santos
Foto Edgar Santos
COMPARTILHAR
Artigo anteriorSegurança pública é tema de audiência em Areia Branca
Artigo seguinteFátima: “povo brasileiro vai barrar retrocessos”
Wallace Maxsuel de Azevedo, 31 anos, graduado em Jornalismo pela Universidade Potiguar (UnP), atua na comunicação desde 2006. Além dos veículos de imprensa também foi diretor de órgãos públicos e Secretário Municipal. Integrante da Pastoral da Comunicação (PASCOM) de Santa Cruz, e membro dedicado da comunicação Católica no RN. Criou o Blog do Wallace em junho de 2009, possibilitando para a região do Trairi um espaço virtual de qualidade e credibilidade. Fotógrafo amador, flamenguista e casado.