Santa-cruzense foi ponto importante na luta pelo reconhecimento dos Mártires do RN

Os Santos Mártires que serão canonizados daqui a poucas horas na Praça de São Pedro, no Vaticano, em Roma, devem esse reconhecimento a um santa-cruzense. Foi o Monsenhor Francisco de Assis Pereira, que nasceu em 12 de abril de 1935, nas terras de Santa Rita de Cássia, e ordenado sacerdote em 13 de abril de 1958, que foi um dos estudiosos e defensores da grandeza do martírio sofrido por homens e mulheres nos locais sagrados de Cunhaú e Uruaçu.

Às 05h15, o Papa Francisco irá canonizar 30 Santos Brasileiros, que tiveram seus martírios reconhecidos pela luta do Monsenhor Assis. Segundo Ele, a Causa dos Mártires “permaneceu viva na alma do povo potiguar, que os venera como enclíticos defensores da fé católica”. O processo de beatificação foi concedido pela Santa Sé, no dia 16 de junho de 1989, durante o Governo de Dom Alair Vilar, que nomeou Monsenhor Assis. Em 21 de dezembro de 1998, o Papa João II assinou o Decreto reconhecendo o martírio de 30 brasileiros, sendo dois sacerdotes e 28 leigos. Monsenhor Assis acompanhou o processo de beatificação junto ao Vaticano, por mais de dez anos, reunindo documentos em pesquisas realizadas em Portugal, Holanda e no Brasil. Deste material resultou o livro Protomártires do Brasil, de sua autoria, lançado no final de 1999.

Sobre os mártires poucos registros detalhados, quando existe muita divergência sobre o total de mortos, porém a Arquidiocese de Natal tem o registro de apenas 30 pessoas que foram mortas nos dois massacres. Parte desses relatos sobre os Protomártires estão em livres como “Protomártires do Brasil”, do Postulador da Causa dos Mártires junto ao Vaticano, Monsenhor Francisco de Assis Pereira; “Terras de Mártires”, da jornalista Auricéia Antunes de Lima, e “Mártires de Cunhaú e Uruaçu”, do Padre Eymard L’E. Monteiro.

 

QUEM FOI MONSENHOR ASSIS?

 

Monsenhor Assis Estudou em Roma, onde fez doutorado em Filosofia e em Teologia, na Arquidiocese de Natal desempenhou funções de pároco nas Paróquias de Nossa Senhora Aparecida, em Neópolis, da Sagrada Família, nas Rocas, e de São João Batista, em Lagoa Seca, além de coordenar a cúria metropolitana, nos governos de Dom Alair Vilar e Dom Heitor Sales; depois Vigário Geral, no governo de Dom Heitor; diretor do Curso de Teologia do Seminário de São Pedro; coordenador do arquivo; Vigário Episcopal para o Clero; Coordenador Arquidiocesano de Pastoral. Ainda foi capelão da Igreja de São Judas Tadeu, no Tirol, em Natal.

Faleceu durante um tratamento contra o câncer na garganta, mas antes dessa árdua caminhada em busca da cura, ele escreveu e publicou dois livros, sendo um sobre a história os Protomártires do Brasil e outro sobre o Beato Mateus Moreira, patrono dos Ministros da Eucaristia. Tem em sua história passagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), como professor. Faleceu em 13 de dezembro de 2011, e foi sepultado no Cemitério Vila Flor, na BR 304, em Macaíba.