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TJMG

Empresárias santa-cruzenses denunciam apreensões irregulares de veículos por determinação da Justiça de Minas Gerais

A engenheira civil, Raphaela Costa, de Santa Cruz/RN, tornou público um apelo às autoridades após ter seu veículo, comprado à vista e sem pendências financeiras, apreendido por conta de um suposto financiamento contraído, por terceiros, em Minas Gerais. O caso levanta suspeitas sobre falsificação de garantias bancárias e questiona a segurança dos processos de aprovação de crédito. Desde setembro de 2025, Raphaela teve o seu veículo apreendido em Natal por um oficial de justiça e força policial.

A alegação era a existência de um mandado de busca e apreensão contra o veículo que não tinha qualquer ligação com o estado de Minas. Mesmo comprovando a ausência de gravame (alienação) no sistema de trânsito, a família precisou entregar o bem e, desde então, fornece documentação à Justiça na tentativa de reavê-lo.

Situação semelhante aconteceu com a empresária e farmacêutica Bruna Oliveira, também de Santa Cruz/RN, que relatou a situação em que seu marido foi interceptado pela polícia durante o trabalho em Natal e teve o carro retido devido a um empréstimo suspeito, também realizado em Minas Gerais por uma pessoa desconhecida. Bruna conseguiu recuperar o veículo apenas após decisões judiciais favoráveis, evitando que o bem fosse leiloado em um pátio de Pernambuco. Em ambos os episódios potiguares, o suposto golpe consistiu em utilizar dados de veículos regulares no RN para aprovar financiamentos em MG.

A suspeita de vulnerabilidade do sistema bancário ganha respaldo nacional ao ser comparada com o recente episódio envolvendo o cantor Luciano Camargo e sua esposa, Flávia Fonseca. Em agosto deste ano, em São Paulo, o casal teve seu carro de luxo apreendido na porta de casa. As informações apontam que criminosos usaram os dados do veículo quitado para associá-lo a um financiamento falso no nome de uma idosa de 70 anos, e o bem só foi devolvido após intervenção jurídica.

Para Raphaela, a repetição do modus operandi expõe uma falha grave por parte das instituições financeiras, que estariam aprovando operações sem filtros adequados, sem contato prévio com os legítimos proprietários e ignorando a ausência de gravame nos registros oficiais.

“Como é que uma instituição bancária faz um procedimento dessa natureza, aprova um financiamento bancário sem ter filtros, sem nunca ter entrado em contato conosco?”, questiona Raphaela. Ela direciona seu apelo ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), cobrando respostas sobre a natureza da fraude, e convoca outras possíveis vítimas a se unirem na cobrança por soluções junto às autoridades competentes.

RECUPERAR O VEÍCULO

Bruna Oliveira conseguiu recuperar o seu veículo, mas o mesmo já estava em um pátio na cidade de Paulista/PE, já com indícios de preparação para leilão. “O nosso carro já estava num pátio, que é o pátio que fica pra leilão. Vocês têm noção disso? Que nosso carro já estava no pátio, só era dar um banho, tirar as fotos e botar o carro pra leilão. E é porque, como eu disse, Pierry foi muito rápido”, disse Bruna em vídeo postado nas redes sociais.

Já Raphaela não teve a mesma sorte. Ela ainda espera recuperar o seu veículo, que encontra-se apreendido desde setembro de 2025. “Um ano apresentando todos os documentos que atestam nossa propriedade legítima sobre o carro, mas não conseguimos obter êxito. Então essa sensação de insegurança que nós cidadãos estamos vivendo nos faz nos questionar: Cadê as autoridades?”

O processo do veículo de Raphaela tramita na 6ª vara cível de Juiz de Fora/MG, e até o fechamento dessa matéria não obtivemos contato com a assessoria do gabinete responsável pelo processo.