Zepe afirma que Santa Cruz deixa de receber 10 milhões de litros anualmente

O ex-diretor do SAAE Santa Cruz, Ângelo Giuseppe, encerrou sua temporada de 18 anos na autarquia municipal com um discurso cheio de números sobre o abastecimento em Santa Cruz. Para Zepe, Santa Cruz aumentou consideravelmente a demanda por água, mas em contrapartida recebe menos do que deveria.

O número de ligações na cidade em 2001 eram 7.563, quando Zepe assumiu o SAAE na primeira gestão do prefeito Tomba Farias. Ao deixar o Serviço Autônomo, Santa Cruz tem 13.140 ligações, um aumento de 5.577 novas ligações em 20 anos. Se for feito um cálculo com base numa média de três pessoas por residência temos um total de 16.671 pessoas utilizando o sistema de abastecimento local. Ou seja, é uma Tangará e Lajes Pintadas juntas, sendo que no mesmo período a oferta de água diminuiu”, explicou.

Se as ligações cresceram 73,7%, o volume de água no sistema da Adutora Monsenhor Expedito caiu em 20 anos. Os registros do SAAE em 2000 eram de 172 mil metros cúbicos anuais, agora, em 2020, são 162 mil. “Essa redução de 10 mil metros cúbicos ao ano impacta na distribuição da água da cidade, principalmente nos meses de setembro a dezembro, quando não temos chuvas para reabastecer os reservatórios”, disse Zepe.

Para o leitor compreender melhor os números, 10 mil metros cúbicos são 10 milhões de litros, ou seja, anualmente Santa Cruz deixa de receber esse volume de água para seu abastecimento.

CAERN EXPLICA

Zepe também apresentou a resposta da CAERN para esse problema. A adutora Monsenhor Expedito chegou ao limite da sua capacidade. “A adutora Monsenhor Expedito foi construída em 1998 para abastecer 10 cidades, mas hoje são 30 cidades, sem contar as centenas de ligações para distritos e adutoras para a zona rural dos municípios por onde corta”.

Ele ainda complementa a informação com um dado preocupante. “O SAAE pode comprar mais água, tem condições para isso, mas o problema é que a CAERN diz que não tem condições de ofertar uma cota maior para Santa Cruz. O que podemos fazer é a nossa parte. Tomba garantiu uma emenda de R$ 300 mil, e o superintendente da Funasa, Pablo Tatim, prometeu a liberação de mais R$ 250 mil. São R$ 550 mil que podem aumentar consideravelmente o nível de hidrometração do nosso sistema e trazer um pequeno alívio na rede do município”.

LAGOA DO BONFIM

Localizada no município de Nísia Floresta, a Lagoa do Bonfim tem sua água captada pela adutora Monsenhor Expedito, e acumula atualmente 42.698.071 m³, equivalentes a 50,67% da sua capacidade total, que é de 84.268.200 m³. Além da Lagoa, mais 19 poços tubulares reforçam o sistema que tem 28 estações elevatórias por longos 430 quilômetros de extensão total.

Segundo dados do IBGE em 2017, a adutora atendia a 278.653 habitantes nas regiões do Potengi, Trairi e Agreste.

Correção e atualização em 05/02/2021, às 18h32