
O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment que levou à saída de Dilma Rousseff (PT) da Presidência, publicou nesta quarta-feira (7) um texto nas redes sociais com duras críticas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). Reale Júnior questionou a candidatura de Flávio e afirmou que uma eventual vitória do senador poderia representar riscos à democracia, à soberania nacional e aos direitos individuais.
O jurista também questionou o crescimento eleitoral de Flávio. Segundo ele, o candidato passou de uma posição considerada secundária para mais de 56 milhões de votos no primeiro turno, sem que, na avaliação dele, o eleitor conheça suficientemente suas propostas de governo. Entre as principais críticas está a posição de Flávio em relação à anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, quando pretende beneficiar os condenados, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O jurista também criticou a aproximação de Flávio com os Estados Unidos e suas manifestações após o encontro com Donald Trump, para Reale Júnior, determinadas posições do candidato poderiam fragilizar a soberania brasileira.
Outro ponto levantado foi a política de segurança pública defendida por Flávio, citando a admiração do candidato pelo modelo adotado em El Salvador e afirmou que uma política baseada em repressão e prisões sem a observância do devido processo legal poderia provocar graves consequências. Isso ainda reforçado pelo resultado das eleições para o Congresso. Na avaliação dele, o fortalecimento de parlamentares da direita radical aumentaria os riscos de aprovação de propostas que considera contrárias a direitos de minorias, cotas e outras pautas sociais.
Apesar de reconhecer o desgaste do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Reale Júnior afirmou considerar uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro mais perigosa para o país. Ao final do texto, o jurista afirmou que a mudança de rumo político não deveria significar, na avaliação dele, a escolha de um caminho que pudesse levar o país a um “precipício”.
Miguel Reale Júnior foi ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso e um dos autores, ao lado de Hélio Bicudo e Janaína Paschoal, do pedido de impeachment de Dilma Rousseff apresentado em 2015. O processo apontou, entre outros pontos, as chamadas “pedaladas fiscais” e a edição de decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso.
