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Cadu realmente é de Lula

A estratégia da campanha estadual do PT no Rio Grande do Norte foi inteligente ao brigar pelo uso do nome “Cadu de Lula”. Cadu Xavier foi secretário de Fátima Bezerra e participou de um governo que, durante boa parte do mandato, foi desaprovado pela população. Ainda assim, o candidato conseguiu transformar a associação com Lula em uma estratégia eleitoral decisiva.

E como enfrentar um desgaste desse e ainda conquistar duas eleições no RN? O segredo é Lula. Fátima é um dos nomes mais importantes da política do estado, mas seguiu com números de avaliação bem ruins ao longo desse período na Governadoria. A estratégia da campanha era “Fátima na geladeira” e Lula na “porta de casa”. A campanha era de Lula.

A leitura era simples. Enquanto muitos de nós, jornalistas, muitos estudiosos e especialistas olharam para a rejeição, os números ruins do governo e os dados que poderiam pesar para o eleitor, este último decidiu pelo simples. Votou com Lula.

Leitura simples de novo: o estado do RN é lulista, e o candidato do lulismo tem chance! Lula teve 65,72% dos votos no estado, o que soma 1.413.596 votos. Cadu precisou casar parte desses votos e, analisando os números da apuração, ele casou 75,91% dos votos do candidato nacional do PT.

Lula puxou Cadu, levou o questionado carioca para a Governadoria pelos próximos quatro anos. A campanha de Allyson Bezerra trabalhou para evitar esse desgaste de não ser apoiador de Lula em um estado majoritariamente lulista. Cadu segurou os resultados nas cidades grandes e aplicou grandes diferenças no interior.

O PT do RN sobrevive e mostra força nas eleições estaduais e nacionais, mobiliza sua militância e consegue reunir votos em torno de suas candidaturas. Mas essa força não se traduz, na mesma proporção, em poder municipal. O partido tem dificuldade para transformar o desempenho nas urnas em presença nas prefeituras, revelando uma diferença entre sua força eleitoral nas disputas gerais e sua capacidade de conquistar espaço político nas cidades.

Nem todo jogo se ganha com bola na rede. Às vezes, é só marcar bem com a defesa e esperar a cobrança de penalidades. Cadu foi o Estudiantes; Allyson, o Flamengo. Futebol sempre rende um bom assunto, fato!

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