
Se tem duas promessas que já estou cansado de ouvir a cada dois anos, são essas: a terceira ponte em Natal e o fortalecimento dos Hospitais Regionais. Quase todo plano de governo tem essas propostas, principalmente a segunda. Quero começar falando dela, porque moro numa cidade que vive há décadas essa eterna promessa.
O Hospital Regional Aluízio Bezerra foi criado no início dos anos 1990, no governo de Geraldo Melo, com Ivanildinho Ferreira sendo o primeiro diretor da unidade. No governo de Dr. Cabral, foi municipalizado, e então começa a grande novela. A luta entre município e estado sobre a manutenção dele. A cada eleição, era uma briga, o uso eleitoral da unidade para segurar os servidores nos cargos e muitas outras polêmicas ao longo de seus quase 40 anos.
Desde o governo de Robinson Faria, o Hospital deixou de fazer parte do orçamento estadual, ficando sob total responsabilidade do município. Lógico, como estamos falando do Sistema Único de Saúde (SUS), existem pactuações e convênios dentro da esfera pública. No governo de Ivanildinho, o grupo de comunicação e marketing sugeriu a mudança na redação do nome, de Regional para Municipal, tendo em vista que a responsabilidade pela unidade cabia à Prefeitura.
O Aluízio Bezerra é um claro exemplo das falsas promessas de regionalização da saúde no RN. Nunca saiu do papel, nunca foi atendido plenamente pelo Governo do RN, apenas falácias de grupos políticos. Na pandemia da Covid-19, a Prefeitura de Santa Cruz teve que arcar com os custos, tendo a ajuda do Governo Federal, pois a maioria dos municípios do Trairi deu calote, assim como o Governo do Estado foi omisso em boa parte.
Regionalização é um grande mito criado pelos políticos potiguares. Toda campanha tem políticos prometendo essa façanha e falham miseravelmente… ou intencionalmente.
Sobre a terceira ponte em Natal, posso falar como um condutor que sempre precisa cruzar a capital da zona sul para a zona norte. O caótico trânsito de Natal é culpa de décadas de descaso. Me lembro da duplicação de Macaíba e Parnamirim, quando, desde criança, via essa obra se arrastar. Coube ao governo Lula 1 finalizar. Depois, eu vi a duplicação da Reta Tabajara começar, e não foi concluída. Se arrasta em um projeto ridículo de conexão na cidade de Macaíba e de vários viadutos que não foram planejados pensando no povo potiguar. Não tinha um “ser inteligente” para planejar um viaduto no acesso ao aeroporto? Ou ainda vão desmanchar o que já construíram para fazê-lo?
E o grande projeto da integração da zona norte, com a avenida das Fronteiras, Moema Tinoco, as integrações com a Ponte Newton Navarro, as melhorias nas principais avenidas para dar fluidez ao trânsito? Tudo só no papel.
Faço esse relato como um observador de todos os elefantes brancos erguidos em Natal como solução da mobilidade urbana, nunca concluídos, sendo peças de campanha eleitoral.
Agora assistimos aos dois candidatos ao Governo prometerem as mesmas coisas. Uma nova ponte. Já pensaram em como conectá-la com as avenidas? Só uma ponte resolve? Como desafogar o trânsito e melhorar o transporte público? E outras alternativas, como o VLT (promessa de Copa do Mundo) e os trens urbanos?
Natal ainda é uma capital que tem como se recuperar e melhorar antes que o inchaço urbano aumente mais ainda. Mas não temos governantes preparados para esse diálogo. Talvez nem tenham nascido ainda.
Sobre os hospitais… até agora, quem ainda conseguiu fazer a diferença foi o senador Styverson com a Liga, mas não é a solução definitiva de que precisamos. O que o senador fez foi muito mais do que o pífio plano do Estado do RN fez ao longo dessas últimas décadas. Precisamos que os hospitais do interior do RN funcionem para desafogar o Walfredo Gurgel.
Enquanto o povo fica brigando para defender seus contracheques ou interesses pessoais, seguimos neste atraso que nos mantém presos ao tempo da Capitania do Rio Grande, quando as caravelas aportaram nas praias potiguares (segundo novas teorias do descobrimento). Seguimos no atraso, com paixões políticas sendo depositadas e computadas nas urnas.
Seguimos sem pontes e sem hospitais!

